Cobrar nos Centros Espíritas: certo ou errado?

Muitas pessoas reclamam da cobrança de alguns centros espirituais dentro do movimento espiritualista brasileiro. A maioria pensa que o ato de cobrar é sinal de má qualidade e picaretagem desses locais. Porém, não cobrar pelos atendimentos ou pelos cursos não é uma garantia do local ser de qualidade. Existem muitos e muitos locais que não cobram pelos atendimentos, e as sessões são péssimas, os médiuns são despreparados e muitas vezes as pessoas saem da mesma forma que entraram, às vezes até piores.

Por outro lado, um local que cobra pelos trabalhos, mesmo que seja apenas para manter o espaço (todo espaço tem gastos) pode realizar um excelente trabalho. Eu vejo muitos locais que cobram e que, justamente por isso, se especializam mais e podem fazer um trabalho de melhor qualidade.

Os integrantes espírita e espiritualista frequentemente distorcem o significado do axioma “Dai de graça o que de graça recebeste”. O que significa dar de graça aquilo que recebemos de graça? Significa que tudo aquilo que nós recebemos de graça, deve ser dado igualmente de graça. Caso contrário, aquilo que não recebemos gratuitamente, pode ser cobrado. Essa máxima se refere, obviamente, ao exercício da mediunidade. Quando um espírito de luz, por exemplo, incorpora num médium e realiza trabalhos de cura espiritual, não é o médium o autor da cura, mas sim o espírito. O médium colhe apenas o mérito do trabalho mediúnico, mas não colhe os frutos do karma pela cura realizada. Esse karma positivo da cura somente o espírito de luz colherá. Por esse motivo, o mérito não está no médium, ele o recebeu gratuitamente, como uma missão que lhe foi dada. Logo, ele não pode se valer dela financeiramente, auferindo qualquer tipo de lucro desta atividade.

No entanto, vamos falar um pouco das despesas de um centro espiritual. Por acaso recebemos gratuitamente a água, a luz, a limpeza, a manutenção, ou qualquer outro serviço necessário ao sustento de um centro espiritual? Obviamente que não. Tudo isso nos é cobrado. Por esse motivo, não há qualquer justificativa para dar de graça o que não recebemos de graça. O significado disso é simples: não há qualquer razão para não se pedir dos frequentadores uma contribuição justa (dentro das capacidades da pessoa) para que o local físico do centro seja sustentado e possa continuar existindo e atendendo as pessoas. Repare que o que está sendo cobrado é a manutenção do centro, e não a mediunidade propriamente dita. Não há lucro decorrente do trabalho mediúnico, apenas um pedido de doação para que o centro possa se manter. Por que até mesmo isso é rechaçado em alguns centros espíritas? Provavelmente um tabu, uma crença arraigada e uma distorção do real significado da sabedoria do “Dai de graça o que de graça recebeste”. Como podemos ver, não existe obrigação de não se cobrar para manter o local do centro; há, isso sim, uma impedimento de se cobrar e se lucrar com a mediunidade. Quanto a isso estamos de pleno acordo.

Fazer a caridade não implica em não cobrar. Cobrar é muitas vezes exigir do outro que saia do seu estado de inação, de comodismo. Como se déssemos uma “sacudidela” na pessoa, e ela possa “acordar” para a vida. Muitas pessoas que frequentam centros espíritas ou espiritualistas e não querem ajudar financeiramente a manutenção do centro, podem ser encaradas como pessoas egoístas. Elas se beneficiam pelos atendimentos, mas não querem dar nada em troca. Não sabem que toda aquela estrutura foi montada pela caridade de alguém, que deu seu dinheiro, investiu no local, para que outros pudessem se beneficiar dos tratamentos. Uma pessoa que não pensa nisso, e quer apenas usufruir e ponto final, deveria pensar que tudo na vida tem gastos. Vivemos infelizmente numa sociedade capitalista, onde nada se faz sem dinheiro. Tudo que existe nesse mundo é pago, pois por detrás de tudo há um serviço, há um custo, há mão de obra empregada. Pessoas que se doam por amor em centros espíritas e outros também precisam da doação dos frequentadores, caso contrário, elas tem que arcar com todos os custos sozinhos.

Não é justo, que médiuns e trabalhadores de um centro espiritual, que já estão oferecendo seu tempo, por amor, ainda tenham que arcar sozinhos com todos os custos operacionais que um centro exige. Seria muito mais justo e solidário se todos os custos fossem divididos igualmente dentro todos os frequentadores. Façamos aqui uma simulação hipótese, somente para exemplificar o que estamos querendo dizer: suponhamos que um centro espiritual tenha um gasto mensal de 2000 reais. Há 10 trabalhadores nesse centro, e esse local tem uma postura de não cobrar dos seus frequentadores. Esses 10 trabalhadores que já desempenham várias tarefas voluntárias no centro, ainda se veem obrigados a pagar, cada um, 200 reais por mês apenas para pagar a quantia mínima mensal de 2000 reais. Esse valor total dividido por 10 trabalhadores, dá o total de 200 para cada um. Suponhamos agora que o centro receba 1000 frequentadores num mês de atividade. Agora vamos imaginar que o centro cobra de seus frequentadores, ao invés de deixar todo o peso para os trabalhadores do centro. Caso o centro pedisse uma contribuição a todos os 1000 frequentadores mensais, o valor a ser pedido seria de apenas 2 reais de cada um. Essa quantia, sem dúvida, qualquer pessoa pode pagar mensalmente. E aqui cabe uma pergunta simples: cobrar 2 reais de cada um dos 1000 frequentadores não é melhor do que 10 trabalhadores terem que arcar com 200 mensais? Será que isso não seria muito mais justo? Observem que quando se divide as despesas entre todos, o valor cai consideravelmente. Aqueles que já realizam um trabalho de caridade (os trabalhadores do centro), não precisariam ficar tão sobrecarregados com os 200 mensais. E 2 reais por mês é algo que, hoje em dia, 99% da população é capaz de pagar. Mesmo que o valor fosse 5 reais, ou mesmo 10 reais. A maioria da população é capaz de fazer uma doação de 10 reais para que um trabalho bonito e elevado como de um centro espiritual possa continuar. Sem dúvida é melhor dar esse valor a um centro espiritual do que numa cerveja, num sanduíche, numa coca light, ou qualquer outra besteirinha tóxica que nos faz mal.

Claro que, muitas vezes, estamos realmente num momento muito delicado financeiramente, e não podemos acertar nenhuma quantia. Neste caso, a pessoa pode ser liberada desse encargo com o centro. Mas sinceridade é fundamental, pois o que mais existe são pessoas que podem fazer doações para ajudar os centros, templos, etc e não o fazem. Aqui a lógica deveria ser: quem pode mais, dá mais, quem pode menos, dá menos. Quem realmente não pode, não paga; mas quem tem uma situação financeira mais confortável, ajuda aqueles que não tem e contribui para sustentar o centro financeiramente.

Por outro lado, existe toda uma indústria de exploração que se formou em torno dos tratamentos espirituais. Isso sim é algo que deve ser combatido por todos. Muitos pseudo-terapeutas exploram as pessoas; muitos centros espirituais recebem suas doações e a verba é desviada; muitos videntes dão cursos e embolsam a renda para si mesmos. Essas coisas devem ser rechaçadas. Mas nem todo lugar que cobra é assim.

Quando vamos a um local de tratamento espiritual devemos sempre ter em mente que nada ali é gratuito. Tudo teve um preço. Por esse motivo, cabe aos frequentadores ajudarem a manter o espaço. Se todos ajudassem, menos encargos seriam concentrados nas mãos de poucos. Se poucos ajudam, um maior peso ficará concentrado nas mãos de alguns. Por isso, essa questão de fazer tudo de graça é muito relativa.

Precisamos entender que ajudar a manter financeiramente um local de tratamento espiritual é uma grande forma de caridade. Não ajudar um centro sério talvez seja mais grave do que um local que cobra pelos tratamentos, ou mesmo pela manutenção do espaço. Dar uma parcela do que temos, ou mesmo ajudar com tarefas diversas que se fazem necessárias, num local que já nos ajudou e que faz o bem é, sem dúvida, um ato de amor. Quando isso não ocorre, alguns dirigentes começam a fazer uma certa pressão psicológica, mesmo que subliminar, para que os frequentadores ajudem. Aí entram as cobranças que se fazem nas entrelinhas. Isso não é dito diretamente, mas há toda uma série de sinais, discursos, apelos, movimentação para que os frequentadores ajudem os centros. Algumas vezes, esses apelos podem ser constrangedores, e em casos extremos humilhantes. Ocorreu isso com um amigo meu mesmo num centro espírita que ele frequentou por um tempo.

A responsável pela arrecadação perguntou se ele poderia contribuir com algo. Na época, ele estava sem nenhum tostão. Estava passando por uma fase financeira realmente difícil. Isso já tem vários anos. Então, ela parou e disse em voz alta “VOCÊ NÃO PODE MESMO AJUDAR, NEM COM 5 REAIS?” ele disse que não. A sala estava cheia. Após ela fazer esse questionamento, várias pessoas olharam para ele, e ele sentiu bastante constrangido por não poder contribuir.

Assim como isso ocorreu com ele, também já aconteceu com várias pessoas que conheci, que me contaram casos semelhantes. Mas isso acontece por causa desse tabu de que o frequentador não pode dar dinheiro, pois caso contrário, o centro estará se aproveitando dele. Na verdade, quando as pessoas não ajudam voluntariamente, os dirigentes hipócritas ficam com vergonha de cobrar (para não serem taxados de aproveitadores), mas ao mesmo tempo começam a fazer essas chantagens com os membros, dizendo que “se ninguém ajudar, o espaço ficará sem dinheiro”, ou que “estamos no vermelho”, ou que “os tempos estão difíceis, então quem gosta do centro precisa contribuir”, e ficam fazendo rifas, etc, etc. Tudo por causa dessa ideia-fixa de que não se pode exigir uma contribuição. Mas de qualquer forma, essa exigência acaba sendo feita de outras formas não-verbais, em alguns casos.

De qualquer forma, repudiamos essa ideia de que não se pode cobrar. Em nossa opinião, isso é algo bastante hipócrita e que só prejudica os centros espirituais. Mas quando digo isso não estou defendendo os picaretas e aproveitadores. Apenas não vejo motivo em negar que possa haver uma contribuição justa e dentro das capacidades financeiras da pessoa. Apesar disso, nunca cobrei os trabalhos vícios de Drogas e doença sem solução e trabalhos arrumar emprego e outros, Cobro apenas pelo meu trabalho com vudu e trabalhos na linha da esquerda.

 

(Luiz carlos pereira)

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